sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O texto e os bastidores de um Reality - Revista Língua

Realidade roteirizada | Revista Língua Portuguesa



Nesse artigo de 2012, a Revista Língua Portuguesa revela o papel de profissionais do texto nos bastidores de um Reality Show.



A matéria exemplifica bem a questão tão debatida nos estudos sobre gêneros textuais de que os textos têm uma função constitutiva e organizadora das atividades sociais.



Aliás, esta questão me faz lembrar também de um exemplo que João Francisco Duarte Jr. apresenta em seu pequeno livro "O que é realidade?", da Coleção Primeiros Passos.



Nas páginas 39 a 41 de seu livro, Duarte Jr. conta a história de dois sobreviventes de um acidente aéreo que se veem lutando pela sobrevivência em uma ilha remota. Ambos passam a articular suas ações e estabelecem padrões de comportamentos e ações que vão facilitando o convívio e a realização das tarefas. O autor acrescenta, então, como novos personagens duas crianças, órfãs e nativas da ilha, que passam a ser aprendizes dessa realidade. Para elas, a realidade se dá agora como algo objetivo, não criado, externo e que simplesmente 'está aí'.  Duarte Jr. desenvolve essa reflexão para explicar o processo de institucionalização, que se dá por meio da reificação, ou seja, a transformação de ações sociais em "coisa" (do latim reis), tornando a realidade um objeto concreto e independente das vontades dos sujeitos individuais. Tal processo seria o fruto da prática da linguagem, que é uma primeira forma de institucionalização.



O exemplo, assim, deixa bem claro que a linguagem participa da realidade, não como mero reflexo, mas como elemento constitutivo, construtor da realidade, assumindo um papel também organizador do mundo e de nossos modos de percebê-lo.



Por trás das câmaras dos Reality Shows, existe uma ordem constituída pelos textos que garantem aos programas do gênero o seu ritmo dinâmico, exigido pelo contexto midiático, sem abrir mão da sensação de espontaneidade.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Cursos de Inglês Instrumental - por que poderiam ser melhores

Autor: Newton Paulo Monteiro

Para quem não tem tempo, nem interesse em fazer um curso regular de uma língua estrangeira, a versão instrumental tem se tornado uma opção comum e muito viável, especialmente se o interesse se limita a aprender a ler textos técnicos em língua estrangeira. Um exemplo disso é o caso do Inglês Instrumental, uma modalidade de curso de inglês muito procurada por profissionais de áreas técnicas e por estudantes, principalmente os de programas de mestrado e doutorado. 

O inglês instrumental atende às necessidades imediatas dos interessados por pelo menos duas razões: (1) enfatiza a habilidade de interesse do estudante, especialmente a leitura, oferecendo conhecimentos específicos e estratégias para a compreensão eficaz de textos com assuntos altamente técnicos e especializados; (2) poupa o tempo do estudante por não abordar outras habilidades como a conversação e a escrita, que pelo menos naquele momento não são de interesse da pessoa. Assim, este tipo de curso atende aos que pretendem obter um conhecimento de inglês em pouco tempo.

Para atingir essas metas, adota-se uma metodologia baseada em estratégias de leitura que facilitam obter uma compreensão geral do texto,  e em estratégias que verticalizam para detalhes do texto. O trabalho com vocabulário, estruturas gramaticais, elementos formadores das palavras e a reflexão sobre o público e os objetivos do texto completam as características comumente encontradas nas aulas de inglês instrumental.

No entanto, esses cursos poderiam ser melhores. Historicamente, os cursos de inglês instrumental que encontramos no Brasil são uma versão dos cursos de língua para propósitos especificos, também chamados de LSP, ESP, EAP, LAP (Language for Specific Purposes; English for Specific Purposes; English/ Language for Academic Purposes, dentre outros etc.). Sua proposta é proporcionar ao estudante o conhecimento da língua de uma área técnica ou acadêmica para que o aprendiz possa exercer de modo mais competente sua profissão ou desenvolver seus estudos universitários. Sua origem e a pesquisa acadêmica nessa modalidade de ensino foram inicialmente propostos em países como Inglaterra e Estados Unidos, mas se espalharam pelo mundo. Mas apesar da semelhança com o que se faz lá fora, os cursos do tipo instrumental praticados no Brasil na maioria das vezes não apresentam  algumas das características propostas nos cursos de língua para propósitos específicos.

Justificando o nome, a versão estrangeira é muito mais específica do que a brasileira. É mais provável que em uma sala de aula de um curso de língua para propósitos específicos estejam presentes alunos de uma formação profissional semelhante.  Pode-se ter um programa só para engenheiros, outro só para médicos, ou só para aviadores, ou só para cientistas etc.  Os textos trabalhados são típicos da profissão, de maneira que o estudante vai se familiarizando não somente com o vocabulário e o jargão técnico, mas também com a gramática e com o estilo dos textos que terá que enfrentar em seu dia-a-dia. 

Já nos cursos comuns no Brasil, pode-se encontrar, por exemplo, uma sala de aula com aviadores e engenheiros, compartilhando o espaço com aspirantes a um mestrado em Artes ou  com doutorandos em Literatura. Talvez, estejam ali profissionais de exatas e de humanas; de ciências sociais e de artes, para ficar apenas em alguns exemplos. É evidente que em tal contexto não é possível fazer o mesmo trabalho verticalizado para atender mais eficazmente as necessidades dos alunos. 

As razões para este quadro são certamente diversas, incluindo os interesses comerciais das escolas e a relação de oferta e demanda desses cursos. Mas o resultado é o esvaziamento de uma proposta que se melhor aproveitada tornaria o estudo da língua estrangeira mais relevante para os alunos. Para os que desejam ou precisam fazer um curso de inglês instrumental (ou de outra língua) é bom ter tais pontos em mente e pesquisar bastante as escolas. Também vale a pena não descartar alternativas, como a de contratar um profissional que possa desenvolver um trabalho mais personalizado, recompensando o tempo e o dinheiro investidos com melhores resultados.

 

Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/linguas-artigos/cursos-de-ingles-instrumental-por-que-poderiam-ser-melhores-6906224.html

Perfil do Autor

Sempre em busca do conhecimento e de oportunidades para aprender e compartilhar o saber - é isto que me traz realização pessoal e profissional. Foi, portanto, uma consequência natural enveredar pela educação e a pesquisa. Após me graduar em Letras, obtive o título de Mestrado em Letras e Linguística, construindo em seguida uma carreira da Educação Superior. Hoje atuo como professor e coordenador do Curso de Letras da Faculdade Alfredo Nasser (GO) e persigo insistentemente o saber nos campos da Linguística, Ciências Sociais, Psicologia, Teoria do Conhecimento e da Ciência, Expertise e Marketing Digital. São esses meus núcleos de interesse e para não perdê-los procuro compartilhá-los com outros. Foi esta a motivação para lançar em 2009 o blog

www.temasetomos.blogspot.com.br

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

AS HUMANAS PODEM AGREGAR VALOR À SUA FORMAÇÃO PROFISSIONAL


Muita gente pensa que uma graduação em ciências humanas não pode levar ao sucesso profissional no mundo corporativo. Mas o site de negócios Business Insider  traz uma matéria assinada pelo jornalista Max Nisen que desafia essa visão tão comum. Em seu artigo 11 Reasons To Ignore The Haters And Major In The Humanities (11 razões para se formar na área de humanas e ignorar  os críticos), o autor desfila uma série de razões pelas quais a opção pelas humanas pode ser um grande diferencial de carreira, agregando valor para o mercado.
Nissen enfatiza o desenvolvimento de certas habilidades nas faculdades de ciências humanas que não podem ser obtidas nos bancos de cursos mais voltados para o mundo empresarial e nas engenharias. Entre essas habilidades, estão a capacidade mais aguçada de reflexão, a competência de escrita, uma compreensão mais profunda sobre o ser humano - resultando em maior facilidade para construir interações produtivas - e até mesmo as tendências futuras do mercado que deverão, nos próximos anos, privilegiar sujeitos capazes de lidar com questões humanas. 

O autor explica que estas habilidades não podem ser reproduzidas por máquinas e computadores e nem podem ser terceirizadas. Além disso, investir nelas significa optar por uma formação mais resistente ao passar do tempo e menos vulnerável às oscilações e mudanças do mercado. São as habilidades mais necessárias para as economias baseadas em serviços, que já ocupam uma parcela considerável das atividades produtivas de países desenvolvidos e se expandem rapidamente nos países em desenvolvimento como o Brasil. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

EXPERTISE E AVALIAÇÃO NA UNIVERSIDADE


Esses dias assisti a uma palestra sobre avaliação na educação e fiquei pensando sobre a falta de novidade nas discussões sobre alguns temas. Parece que tudo o que se escreve e se diz nos eventos acadêmicos é o que todo mundo já sabe e aquilo que poucos sabem, mas desejam desesperadamente aprender, na verdade, é justamente o que mais ninguém  sabe (desculpe-me se a frase soou jocosa). Resultado: chove-se no molhado ao mesmo tempo em que vivemos extensos desertos de ignorância.

Então me lembrei de algumas leituras e de um trabalho apresentado por mim em 2012 (Em busca da expertise profissional na área de Letras?) e pensei: será que as reflexões sobre avaliação não poderiam ser vistas pela perspectiva da expertise, pelo menos na educação superior onde se formam profissionais? O que desenvolvo a seguir é uma tentativa de relacionar esses temas. 

Em um artigo intitulado What is an expert? (O que é um expert?), publicado em 1993 na revista Theoretical Medicine (vol. 14), Bruce Weinstein apresenta uma distinção entre dois tipos de expertise: a epistêmica e a performativa. A expertise epistêmica se refere à capacidade de um sujeito de apresentar explicações fortemente justificáveis para uma declaração, ao passo que a expertise performativa diz respeito à demonstrações de desempenho excepcionais na realização de uma tarefa. Trata-se portanto de dois tipos de conhecimento: o primeiro relacionado ao saber (episteme) e o segundo ao saber-fazer (performance). 

Nos estudos sobre o tema, uma visão comum é a de que a expertise é alcançada por meio da prática deliberada, um conceito que desafia a crença de que a aprendizagem resulta simplesmente da prática, como se costuma afirmar com frequência. A prática por si só não faz de ninguém um expert, mas apenas a prática com objetivo, desenvolvida com consciência a fim de se colher progressivamente os melhores resultados. É a partir desse tipo de prática que alguém alcança níveis superiores de desempenho ou a capacidade de fornecer justificativas fundamentadas e perspicazes. 

Desse modo, um expert se habilita para resolver problemas complexos, pois adquire um modelo mental de compreensão e abordagem das situações problemas. Com tal modelo, o sujeito expert é capaz de fazer - muitas vezes com rapidez - distinções finas, negligenciadas pelo observador comum. Até chegar a esse ponto, podem ser feitas inúmeras tentativas e erros, afinal a realidade não se rende a um tratamento fácil, conforme ilustrado na Lavanderia de cães do Pato Donald.


Agora, se considerarmos que a formação acadêmica tem como meta desenvolver profissionais competentes, não me parece restar dúvida de que tal formação busca construir nos sujeitos sua expertise. Assim, a avaliação deve ser o caminho para verificar o progresso dos estudantes em direção desse objetivo. As avaliações precisam ser pensadas como de dois tipos de acordo com o conhecimento avaliado: epistêmico ou performativo. 

A avaliação da expertise epistêmica precisa verificar a capacidade dos estudantes de apresentar justificativas plausíveis com base nas teorias e conceitos estudados. A meta desse tipo de avaliação deve ser identificar a força do argumento. Logo se conclui que a competência na linguagem - escrita e/ou falada - é um fator que não pode ser ignorado. O avaliador precisa ter em mente a seguinte questão: quão aceitáveis são as explicações do estudante para os demais especialistas da área?Por sua vez, a avaliação da expertise performativa precisa identificar a "distância" do estudante em relação aos sujeitos de alto desempenho (e lembramos aqui da noção de Zona de Desenvolvimento Proximal de Vigotsky). Precisa também perceber se o estudante está no caminho certo para atingir este nível de execução. 

É assim que por exemplo um estudante de licenciatura poderia ser avaliado: (1) em relação à sua capacidade de justificar explicações teoricamente fundamentadas para certos problemas; (2) em relação ao desempenho na execução de certas tarefas, como ministrar uma aula ou preparar um material instrucional.

A definição do tipo de conhecimento que será avaliado é, naturalmente, um primeiro passo para se propor a forma de avaliação. Não somente isso, podemos acrescentar, mas também para decisões sobre o caminho do ensino. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

COMO USAR AS TICs NA ESCOLA - CONHEÇA A CARTILHA DO INSTITUTO CLARO


O Instituto Claro coloca à disposição em seu site https://www.institutoclaro.org.br/ a interessante cartilha  Tecnologias na Escola - como explorar o potencial das tecnologias de informação e comunicação na aprendizagem.  O material é uma iniciativa do instituto com o Projeto Cultural Fronteiras do Pensamento e autoria de Carlos Seabra.

A cartilha inicia os leitores em pontos básicos dos usos das tecnologias, como fazer uma pesquisa nos mecanismos de busca, mas vai além e traz dicas sobre edição de vídeos, uso de textos e imagens, jogos, arquivos de som (podcasts) etc. De visualização agradável e muito visual e colorida, o material apresenta quadros com explicações de conceitos da internet e da educação com tecnologia. Sem dúvida, trata-se de um guia para inovar na educação. O material gratuito está disponível em formato pdf. 

domingo, 29 de setembro de 2013

APRESENTAÇÃO SOBRE AUTORIA NA WEB PARA PROFESSORES E ALUNOS

Já está disponível na seção downloads desse site uma apresentação que discute questões de autoria para professores e alunos. Esse tema é relevante em razão da necessidade dos docentes inovarem em sua prática e também pelo posicionamento profissional necessário para que os professores potencializem seu reconhecimento e oportunidades.