terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ótimos documentários sobre a história da escrita

Estes vídeos ajudam a entender como recebemos a maior das revoluções.

O nascimento da escrita


A revolução dos alfabetos


segunda-feira, 21 de julho de 2014

sábado, 28 de junho de 2014

Pesquisa identifica padrões de entonação da língua

Pesquisa identifica padrões de entonação da língua

quinta-feira, 26 de junho de 2014

CINCO PRINCÍPIOS DA COMUNICAÇÃO EFICAZ


Você precisa escrever um texto, apresentar um trabalho na faculdade, dar uma palestra ou fazer uma apresentação no trabalho. É aí que surge aquela preocupação com a boa comunicação que tira o sono de muita gente. Os cinco princípios apresentados a seguir são fáceis de aplicar tanto à comunicação oral quanto à escrita, mas se baseiam em ensinamentos bem fundamentados dos estudos da linguagem e cognição. Estes princípios tratam especificamente de como abordar os conteúdos de uma apresentação ou texto.

1. Simplicidade: por que é essencial?
Nenhum texto pode dizer tudo. Se um texto tentasse dizer tudo, ele seria interminável. O mesmo vale para apresentações orais. Assim, por que não assumir a simplicidade como princípio e aceitar que é preciso ser seletivo no que dizer? Há várias razões para isso. Primeiro, se você tentar incluir informação demais vai acabar se perdendo. Em segundo lugar, é ilusório achar que seu público de ouvintes ou leitores vai conseguir compreender tudo que você poderia dizer sobre um assunto. Por fim, o caminho mais curto é melhor. Tentar dar explicações muito complexas não vai ajudar o seu público entender sua mensagem e também não contribui em nada para sua imagem como escritor, palestrante etc. Em resumo: determine seus pontos principais e se concentre neles. É verdade que existem assuntos que exigem uma abordagem mais complexa, mas isso já é outra coisa, que, aliás, nos leva ao próximo ponto.

2. Avaliação: o que o seu público já sabe?
Ninguém pode entender um texto ou apresentação a menos que já saiba algo sobre o assunto. Isto parece surpreendente? Na verdade, é bem simples. Se conforme dito acima, ‘nenhum texto pode dizer tudo’, então muito do que faltar no texto é o que o seu público já deverá saber. Portanto, o segredo está em determinar o que seus ouvintes ou leitores já sabem sobre o assunto. Você precisa se perguntar: quem são meus leitores ou ouvintes? O que e quanto já sabem do assunto que pretendo explicar? Que formação eles têm? Que experiência eles já tiveram com o tema em questão? O que eles esperam de minhas explicações: aprofundamento e riqueza de detalhes ou uma visão panorâmica do tema? O que eles são capazes de suportar sem ficarem enfadados ou se perderem na explicação: uma abordagem mais técnica que os faça sentir que realmente aprenderam sobre o tema ou apenas a apresentação de informações básicas que os ajudem a cumprir outras tarefas que são as suas reais prioridades? Pense em termos dos objetivos do seu público.

3. Antecipação: identifique os pontos de maior dificuldade
Sua experiência em já ter tratado do assunto antes e seu conhecimento do tema pode ajudá-lo (a) a identificar que partes do assunto são mais difíceis de serem assimilados e compreendidos. Geralmente, discussões teóricas e metodológicas, detalhes muito técnicos e apresentação de dados são mais desafiadores para leitores e ouvintes. Assim, defina em que partes do seu texto ou apresentação você vai precisar expor este tipo de informação e tome algumas providências preventivas: destaque as informações essenciais; mostre o significado delas; ilustre; desacelere na exposição; repita; resuma. Divida essas informações em partes que possam ser entendidas em si mesmas para depois passar adiante. se estiver fazendo uma exposição oral, pode ser útil ‘quebrar o gelo’ entre essas partes com algo alivie a atenção dos ouvintes: uma brincadeira de leve, uma imagem, uma observação breve e perspicaz ou uma citação interessante de alguém que é autoridade no campo podem cair bem nesse momento.

4. Síntese: reaqueça as ideias principais com resumos periódicos
Se sua apresentação ou texto forem muito longos pode ser interessante desacelerar e retomar as ideias principais com resumos periódicos, bem distribuídos. Considere o seguinte: seu público de leitores ou ouvintes não vai sair com todas as suas explicações na memória, pronto para despejá-las na próxima esquina para o primeiro transeunte que por infelicidade estiver passando por lá. Não como pessoa inteligente, você com certeza tem um público inteligente e não papagaios. Por isso, é necessário distinguir entre (a) as informações essenciais que precisam ser absorvidas e (b) as explicações pormenorizadas que precisam ser compreendidas. É com tais explicações que você valida as informações essenciais para seu público, mas isso não quer dizer que ele precisa ser capaz de reexplicá-las prontamente. Eles provavelmente terão acesso a algum material escrito ou (áudio)-visual fornecido por você e poderão retornar a ele quantas vezes forem necessárias até absorverem as explicações, se isto for uma meta. O mais importante, porém, é que seu público tenha a sensação de que realmente aprendeu algo e isso só é possível se as ideias principais ficarem bem claras e fáceis de serem assimiladas. Você pode dar uma forcinha reapresentando brevemente os pontos principais de seções anteriores e acrescentando os últimos pontos abordados. Assim, as ideias ficam quentes na mente de seu público.

5. Conversão: transforme ideias em resultados
Dados, teorias, conceitos e detalhes metodológicos de pouca ajuda são se você não mostrar o valor das informações para seu público. E também de pouco vale fazer uma apresentação cativante que entretenha o público, mas que não agregue conhecimentos ou uma compreensão profunda e/ou inovadora de um tema. Lembre-se: seja em um texto, em uma apresentação ou em qualquer tipo de exposição, seu público precisa sentir que aprendeu algo, isto é, que está saindo com algo de valor. Para isso você precisa converter as ideias em resultados. Como se faz isso? Trata-se de fazer aplicação dos ensinamentos, levar para a prática ou simplesmente mostrar as consequências de um conjunto de informações. Mesmo quando se abordam questões teóricas é possível dar esse passo. Uma apresentação basicamente teórica ou conceitual pode ter, sim, consequências relevantes. Por exemplo, pode-se mostrar como uma teoria ou conceito muda nossa perspectiva sobre um tema ou ainda o que ganhamos ou o que problema evitamos com a aplicação de um conceito ou teoria. Se a apresentação ou texto possuir dados, mostrar o significado desses dados será fundamental para que as ideias sejam percebidas como resultados. Nesse caso, é possível até mesmo explicar como os novos significados obtidos impactam nas ações práticas ao lidar com um problema.


Em resumo, para elaborar bons textos e apresentações, utilize esses cinco princípios, que podemos resumir na sigla SAASC, como método de verificação da qualidade de sua exposição e, então, faça os ajustes necessários.

Linguistas lançam dicionário de termos do futebol em três idiomas


Quem disse que linguistas não fazem coisas práticas e divertidas? Esta matéria da edição online da revista Ciência Hoje apresenta um projeto de um dicionário trilingue muito interessante desenvolvido por linguistas. Trata-se de um dicionário com termos do futebol, ideal não apenas para autodidatas mas também para professores que desejam preparar suas aulas em torno do tema do futebol. Vale a pena conferir a matéria. E só clicar no link:
Futebol poliglota.

sábado, 21 de junho de 2014

ENTÃO VOCÊ ACREDITA EM FONEMAS, MAS TOMA ANTITÉRMICOS?


Tradicionalmente, podem-se apontar duas visões sobre a possibilidade do conhecimento: a realista e a antirrealista. Estas posições se fizeram presentes no pensamento de diversos filósofos ao longo da história, mas também em algumas atividades práticas, tais como na medicina da Grécia Antiga. Os médicos racionalistas acreditavam que seria possível conhecer as causas das doenças dos pacientes por meio da ciência e da razão. Já os médicos empiristas sustentavam que não era possível, ou mesmo desejável, buscar tais causas ocultas. Tudo o que importava era o que fosse útil, ou seja, promover o bem-estar dos pacientes. Assim, ao passo que os racionalistas olhavam para além dos fenômenos, os empiristas se contentavam com eles. Os empiristas adotavam, portanto, uma visão antirrealista e cética (ceticismo) em relação à possibilidade de se alcançar alguma verdade que estivesse fora do alcance dos sentidos e da experiência. Já os médicos racionalistas assumiam um realismo em relação a coisas não observáveis. Sexto Empírico, médico e filósofo do II século E.C, ficou conhecido como um dos expoentes do Ceticismo adotado pelos médicos empiristas.
Na modernidade, diversas escolas de pensamento tem tomado alguma posição favorável ou contrária ao realismo/antirrealismo. O que geralmente está por trás das posições céticas e antirrealistas é uma descrença na possibilidade humana de alcançar a verdade ou um conhecimento infalível por meio da razão e da ciência. O conhecimento passa, então, a ser provisório, falível e no máximo útil para um determinado fim. Do ponto de vista cultural, estas visões em conjunto com outros fatores têm resultado no que se costuma chamar de pós-modernismo.

ONDE ESTÁ O CONHECIMENTO

            Além da questão da realidade e da verdade, o debate sobre o conhecimento também coloca outra questão: o conhecimento depende da realidade ou do sujeito que busca conhecer? A perspectiva antirrealista, que nega a possibilidade de um conhecimento verdadeiro e definitivo, sustenta que o conhecimento depende do sujeito que conhece. Em resumo, é como se o mundo fosse o resultado da atividade da mente.

TEORIAS CIENTÍFICAS E PEDAGÓGICAS

Em consequência dessas visões do conhecimento, as diversas perspectivas sobre o ensino e aprendizagem assumem posições distintas sobre como deve ser encaminhado o trabalho pedagógico. A visão tradicional, por exemplo, enfatiza a verdade do conhecimento e o papel do professor como transmissor dessa verdade. Já a abordagem construtivista, pelo menos em algumas de suas vertentes, coloca o aluno – enquanto sujeito aprendiz – como o centro da aprendizagem. Nesse caso, o que importa não é tanto a apreensão de uma realidade ou verdade, mas o progresso do aprendiz no processo ensino-aprendizagem.
            Na ciência e na filosofia da ciência, as teorias também são entendidas como afirmações explicativas que podem ou não ser interpretadas como verdadeiras. Para alguns cientistas, historiadores, sociólogos e filósofos da ciência, as teorias não têm a obrigação de serem verdadeiras. De maneira similar ao que pensavam os médicos empiristas gregos, para tais pesquisadores atuais a ciência explora as teorias e conceitos ao máximo, produzindo bons resultados explicativos, sem que seja necessário que cada teoria ou conceito seja assumida como uma verdade absoluta. Nesse sentido, as teorias são descartáveis, úteis para um objetivo por um período, e servem ao propósito da ciência enquanto orientarem o trabalho do pesquisador, permitindo que explicações interessantes e produtivas sejam desenvolvidas.
            De um ponto de vista histórico, observa-se que diversas teorias e conceitos são rejeitados como falsos, embora em algum momento tenham sido interpretadas como verdadeiras e condizentes com os fatos observados. Steven French (2009; Artmed), em sua obra Ciência: conceitos chave em filosofia nos apresenta uma lista dos casos mais conhecidos:


- as esferas cristalinas da astronomia grega (aristotélica);
- os humores da medicina medieval;
- os eflúvios das primeiras teorias da eletricidade estática;
- a geologia catastrofista;
- o flogisto;
- o calórico;
- a força vital (fisiologia);
- o éter eletromagnético;
- o éter ótico;
- a inércia circular;
- a geração espontânea.

            Nos estudos linguísticos também observamos as mudanças históricas de conceitos e teorias, que são reformuladas ou até mesmo rejeitadas. Um desses exemplos é um conceito linguístico conhecido não somente por aqueles que estudam Linguística nos primeiros meses de um curso de Letras e/ou Linguística, mas também do grande público. Estamos falando do conceito de fonema, muitas vezes confundido com o conceito de som (ou fone).
            Um fonema não é um simples som. Mas uma unidade sonora de capacidade distintiva. Isto significa que o fonema ‘possui um som’ capaz de fazer distinção ou estabelecer diferença de significado. Se em duas palavras da Língua Portuguesa, por exemplo, ata vs. aba, encontra-se uma sequência de sons semelhante em tudo menos uma coisa (t/b), dizemos que os elementos diferentes são fonemas se as palavras tiverem significados diferentes. Assim, como a diferença de significado das palavras ata/aba depende da diferença entre as duas consoantes, dizemos que t/b são fonemas.
            O conceito de fonema foi muito útil aos estudos linguísticos e teve um desenvolvimento lento, de várias décadas dos séculos XIX e XX. Porém, estamos longe de poder afirmar que se trata de um achado que uma vez identificado se estabeleceu definitivamente nas ciências da linguagem. Isto acontece porque muitos linguistas não mais trabalham com o conceito de fonema, mas com seus elementos constituintes – os traços distintivos –, embora o fonema já tenha sido considerado como uma unidade mínima indivisível, à semelhança do que ocorreu com o conceito de átomo em física, que julgado indivisível no passado (vale lembrar o significado da palavra em grego: a-tomo=in-divisível) é hoje estudado como composto de partículas menores. Mas assim como o átomo, o conceito de fonema continua oferecendo lições úteis aos que se iniciam na área e ainda é muito aproveitado em alguns campos – como o do ensino de línguas, uma vez que sua aplicação seria bem mais simples do que a abordagem dos traços distintivos (Dicionário de Linguística de R. L. Trask, 2006, editora Contexto, verbete fonema).
            Em resumo, as teorias científicas participam de um grande jogo pela busca da verdade científica, sendo que alguns cientistas e intelectuais ao considerarem o nascimento e a morte das teorias preferem abandonar qualquer possibilidade de que a ciência se identifique com a verdade, optando pelo conceito de utilidade. Aqueles que defendem uma concepção de ciência como busca da verdade vão sustentar que não importa o resultado infeliz de algumas teorias, ainda temos à disposição um conjunto considerável teorias provadas verídicas e dentre aquelas que foram reformuladas ou rejeitadas, o fato é que só podemos concluir em favor de sua inveracidade parcial ou total a partir de algum critério de verdade. Além disso, teorias reconhecidas como falhas não raramente deixam algum rastro de verdade. Isto significa que mesmo negando-se que a teoria seja verdadeira em sua totalidade, algo de verídico da teoria permanece, podendo ser reaproveitado em outros modelos teóricos. Este é o caso da ideia de ‘traços distintivos’ na teoria do fonema.

FONEMAS E ANTITÉRMICOS

Poucas vezes nos damos conta que nossas atitudes cotidianas revelam posturas já presentes entre os médicos gregos, os empiristas e os racionalistas. A prática da automedicação é um exemplo de atitude empirista em que o que importa são os sintomas e a sensação de bem estar. De antitérmicos a remédios para dores de cabeça, passando por qualquer outro medicamento que vise aliviar sintomas, tudo o que temos é uma preocupação empírica, baseada em nossas percepções e sensações. Por isso, não é incomum ouvirmos especialistas alertarem contra a prática, explicando que sintomas podem esconder causas ocultas, que se não tratadas e ignoradas pela prática de só se buscar alívio podem resultar em males mais graves. 
Ao mesmo tempo, não hesitamos em acreditar no que é divulgado pela ciência, ou mesmo pela mídia e a Educação ao abordar temas científicos. Muitas vezes, não temos consciência de que a ciência trabalha com conceitos que fazem afirmações sobre aspectos da realidade sobre os quais não existem certezas ou pouco se conhece, mas que são consideradas para que seja possível fechar o conjunto explicativo da teoria. É como se fosse criada uma imagem de uma peça faltante de um quebra-cabeça com o fim de completar o quadro.
O que aprendemos desta discussão é que a busca pelo conhecimento científico e a formação científica e educacional precisam ser desenvolvidas com grande consciência de que o conhecimento é um processo que se dá no quadro da história, por meio de diversas tentativas que podem se mostrar eficazes ou não em sua aproximação quer da verdade quer da utilidade, mas que sempre envolvem um jogo de afirmações que competem pela condição de melhor explicação. É isso que as novas gerações precisam entender sobre o projeto da ciência. 


REALISMO

Existe um mundo real independente das ‘pessoas’ (sujeito); coisas não observáveis existem; é possível conhecer a realidade por meio da razão e da ciência; o conhecimento está nos objetos do mundo; metafísica.






ANTIRREALISMO
Um mundo independente do sujeito (a) ou não existe; (b) ou é impossível saber se existe ou não; (c) ou/e não podemos conhecê-lo; coisas inobserváveis  ou não existem ou nunca poderemos saber se existem; a realidade que conhecemos é a percebida (percepção) pela experiência; o conhecimento está no sujeito conhecedor (cognoscente); negação da metafísica.